domingo, outubro 24, 2021
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Sem apoio do Itamaraty, estudantes brasileiros ganham esperança para retornar aos EUA

Por Marcelo Benevides

Por conta da proibição de entrada nos Estados Unidos, em função da pandemia de coronavírus, milhares de estudantes brasileiros passaram a enxergar uma luz no fim do túnel. Sem apoio do Itamaraty, eles ganharam aliados importantes. Parlamentares americanos entraram em ação, enviando uma carta ao Departamento de Segurança Interna, solicitando que o governo federal reveja a sua política de barrar estrangeiros no país por tempo indeterminado.

Nesta quinta-feira, a senadora Patty Murray (D-WA), principal democrata no comitê de educação do Senado, se juntou a Elizabeth Warren (D-MA), Ed Markey (D-MA) e à deputada Pramila Jayapal (D-WA). Os democratas querem que as orientações recentes, que proibiriam a chegada de novos estudantes internacionais de faculdades e universidades, sejam revisadas. O texto considera uma diretiva xenófoba da Immigration and Customs Enforcement (ICE), que queria deportar todos os alunos internacionais com cargas horárias apenas online, mas revogada após um desafio legal e forte pressão no Congresso.

“Muitas instituições de ensino superior começarão as aulas nas próximas semanas, a maioria das quais está planejando predominantemente o ensino online, e ainda há interrupções em curso decorrentes da orientação de sua agência para alunos localizados no exterior. Estima-se que 250 mil estudantes internacionais planejam entrar nos Estados Unidos no próximo ano acadêmico, como novos ou antigos alunos. Esses estudantes e universidades precisam de respostas claras para planejar suas vidas e se preparar para os estudos para o próximo semestre”, diz a carta.

A reportagem do “SigAlerta” conversou com Daniel Setton, estudante da University of Evansville, no estado da Indiana. Um misto de sentimentos reflete o seu momento: preocupação, angústia, esperança e até indignação, justificada pela inoperância do órgão do governo brasileiro, responsável pela diplomacia do país:

“O Itamaraty alega que não pode fazer nada pelos estudantes, porque não pode ferir a soberania de um país. Isto é um absurdo! É claro que eles podem negociar, solicitar uma atenção especial aos Estados Unidos para o nosso caso. Afinal, o Brasil liberou a entrada dos americanos durante a pandemia, sem contrapartida. Poderia dizer: “estamos aceitando os seus turistas, vocês não podem aceitar os nossos estudantes?”. Isto é síndrome de vira-lata”

Com aulas marcadas para iniciarem no dia 26 de agosto, o estudante vive uma verdadeira epopeia em busca de auxílio. Alguns deputados já tomaram ciência do caso e prometeram pressionar o Itamaraty para, ao menos, tentar uma saída alternativa.

“Eles podem sugerir, por exemplo, que os estudantes passem por uma testagem de Covid-19. Todos nós faríamos sem o menor problema. Eu já fui contaminado e tenho anticorpos, mas se tiver que fazer o teste novamente, eu o faria tranquilamente. Podem fretar voos com os estudantes, enfim, existem possibilidades. Basta ter vontade de ajudar”, cobrou o estudante.

Universidade para a qual Daniel espera retornar e continuar os estudos

Estima-se que, cerca de 10 mil alunos brasileiros de instituições de ensino americanas, estejam à espera de uma solução. A maior preocupação é com a bolsa de estudos adquirida por muitos deles, como no caso de Daniel, que pode ser perdida, caso um número de aulas não seja cumprido, o que levaria também ao cancelamento do visto americano.

“Para continuar com status legal nos Estados Unidos, é preciso manter a presença nas aulas, senão eu deixo de ser um aluno integral e perco a minha bolsa e, consequentemente, o visto de estudante”, explica ele.  

Sobre a carta dos democratas ao chefe do departamento de segurança, Chad Wolf, o foco está errado, na visão do brasileiro, pois daria a chance de o governo americano alegar que aulas online não precisariam da presença dos alunos nos Estados Unidos, segundo ele:

 “O governo americano poderá alegar que estes alunos podem estudar em qualquer lugar com as aulas pela internet. Mas e aqueles que têm o sistema de aula online e presencial, como ficaria?”.

Enquanto a pressão ocorre, os alunos brasileiros seguem se organizando. Um perfil no Instagram foi criado e já conta com mais de 5 mil seguidores, em sua grande maioria composto por estudantes vivendo o mesmo dilema de Daniel: “wetheforeigners”. Para conhecer a página, acesse:

https://www.instagram.com/wetheforeigners/

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