segunda-feira, outubro 18, 2021
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Faxina podcast: brasileira conta histórias “jogadas debaixo do tapete” de imigrantes em Boston

Por: Raphael Bózeo

Todo mundo tem uma história para contar, boa ou ruim, feliz ou triste, emocionante ou polêmica. E muitas delas, com o passar do tempo, são empurradas para debaixo do tapete. Partes importantes da vida das pessoas são guardadas e esquecidas, pela velocidade do dia a dia, pelo sofrimento ou pela saudade. Muitas nem são compartilhadas com os nossos amigos e familiares.

É o que muito acontece com imigrantes brasileiros que buscam uma vida melhor nos Estados Unidos. Mas foi através do encanto por contar e ouvir que a professora Heloíza Barbosa, brasileira que vive em Boston, deu voz a muita gente através de um programa de podcast chamado Faxina (ouça o trailer do programa abaixo).

E o motivo do nome? Quando chegou nos Estados Unidos, em 1994, Heloíza foi faxineira por três anos. Aprendeu o inglês, se empenhou nos estudos e seguiu por outros caminhos.

Com apetite por contar histórias e um projeto de documentário engatilhado na mente, Heloíza parou para conversar certo dia com a faxineira que mensalmente trabalha em sua casa. E ao ouvir o desabafo da colaboradora, a ideia explodiu na sua cabeça, com o desejo de dar voz a quem é imigrante:

“UM DIA ELA CHEGOU MUITO TRANSTORNADA E FALEI COM ELA “SENTA AQUI, VAMOS CONVERSAR”. COMECEI A OUVIR A HISTÓRIA DELA, FIQUEI TÃO MOBILIZADA E PENSEI: GENTE, EU TO AQUI, E TEM HISTÓRIA DESSAS PESSOAS QUE ESTÃO AQUI, DO MEU LADO. DAQUELE MOMENTO QUE SURGIU O FAXINA. PRECISAVA LEVANTAR O TAPETE DESSAS HISTÓRIAS QUE ESTÃO AQUI, DISSE.

O Faxina fez a sua primeira temporada em meio a pandemia, começando a exibir seus programas em 31 de março. Foram seis episódios, cada um com uma história de imigrante brasileiro que vive em Massachusetts. As narrativas saem do padrão de rádio e busca um mergulho narrativo pela vida daqueles pessoas e seus contos importantes, ricos e íntimos.

As histórias navegam por diversos mundos. A de quem saiu do Brasil porque sentiu na pele que lá ele não poderia existir sendo quem ele é, a de quem fugiu do país, largou filho de dois anos, fez dívida, atravessou a pé a fronteira entre o México e os EUA, para escapar da violência doméstica. E também há uma história imaginária de um novo futuro (ouça abaixo o resumo de cada uma delas).  

“Foi difícil explicar para as pessoas usarem a ferramenta de podcast e num segundo momento foi difícil explicar que elas podem contar as histórias delas. Muitas vezes são quatro gravações para finalizar um episódio daquela pessoa. É um trabalho insano. A primeira ideia era seguir as faxineiras dentro do carro. As faxineiras de Boston andam de carro de um lado para o outro, achei que se eu fosse no carro com elas daria certo, mas não funcionou”, contou.

Heloíza tem um time que ajuda na produção dos episódios, tudo pela causa, já que o programa ainda não se sustenta financeiramente. Os músicos Paulo Pinheiro e Diogo Saraiva, de Brasília, além da professora de uma escola pública de Boston, Valquiria Gouvea, e Adam Gamwell, americano e antropólogo, casado com uma amiga brasileira formam a equipe de apoiadores.

A segunda temporada está prevista para o início de 2021, entre janeiro e fevereiro, e também será com seis capítulos. Uma novidade é a possibilidade de entrevistas com pessoas da língua portuguesa, mas de outros países, como caboverdianos e angolanos, por exemplo. Para Heloíza, o grande objetivo é poder compartilhar as histórias e levar mais empatia para as pessoas.

Sou muito grata, porque fazemos cada história com maior o respeito e a dignidade que merece. Eu quero que mais pessoas escutem, só isso. E que se emocionem, que sejam tocadas de alguma forma. Se uma pessoa ouvir o faxina e no final do episódio se sentir transformada de algum modo, a gente fez o nosso trabalho.

Clique aqui para ouvir os episódios, conhecer todo o projeto e saber também como colaborar para que mais histórias sejam contadas.

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