segunda-feira, outubro 18, 2021
No menu items!
Início Imigração Em livro, Obama explica os motivos por descumprir promessa de reforma imigratória

Em livro, Obama explica os motivos por descumprir promessa de reforma imigratória

Em seu livro de memórias que teve lançamento mundial nesta terça-feira, o ex-presidente Barack Obama responsabiliza o Congresso pela política de deportações em massa de seu governo, enquanto defende uma “decisão estratégica” de ganhar tempo para conseguir uma eventual reforma da imigração que nunca chegou.

Em seu livro ‘A Promised Land’, Obama (2009-2017) descreve o ambiente político hostil que, em sua opinião, impediu seu governo de promover a prometida reforma da imigração.

“Minha equipe e eu tomamos a decisão estratégica de não tentar reverter imediatamente as políticas que herdamos, principalmente porque não queríamos dar munição aos críticos que argumentavam que os democratas não estavam dispostos a fazer cumprir as leis de imigração existentes”, explicou ele.

Essa percepção pode “torpedear” qualquer oportunidade para o Congresso aprovar a reforma da imigração para legalizar a população sem documentos, acrescentou.

Assim, Obama oferece uma autópsia do motivo pelo qual não conseguiu cumprir sua promessa eleitoral de 2007 de reviver um plano reformista:

“Com a economia em crise e a perda de empregos americanos, poucos no Congresso tiveram vontade de enfrentar uma questão candente como imigração”, disse ele.

Apesar de implementar o DACA, no ano em que foi reeleito em 2012, Obama ganhou o apelido de ‘deportador-chefe’ porque seu governo expulsou mais de 3 milhões de imigrantes indocumentados durante seu mandato.

Conforme explicou Obama, ele não deu ordens para acelerar as deportações, mas elas foram produto de uma lei aprovada pelo Congresso em 2008, que aumentou tanto o orçamento do Escritório de Imigração e Alfândega (ICE) quanto da colaboração entre a agência e a polícia local para deportar imigrantes com antecedentes criminais.

Embora Obama tenha implementado um sistema de categorias sobre quem era considerado “deportável” – dependendo se representava um risco para a segurança pública ou nacional – seu governo foi criticado porque muitos dos deportados não tinham antecedentes criminais.

Assim, Obama dedica algumas páginas de seu volumoso livro de 751 páginas ao tema da imigração, no qual descreve os reveses da reforma da imigração no Congresso, primeiro em 2007 e depois em 2013, apesar do apoio do Executivo em ambas as vezes.   

Obama observou que, quando chegou ao poder em 2009, o Congresso havia investido bilhões de dólares no reforço da vigilância das fronteiras, com câmeras, drones e cercas, além da crescente militarização da Patrulha de Fronteira. No entanto, em vez de conter a imigração ilegal, essas medidas estimularam toda uma “indústria de coiotes” que lucra com esse sistema, disse ele.

Obama observou que a maioria dos 11 milhões de imigrantes indocumentados são parte integrante da economia americana, na qual muitas vezes desempenham os trabalhos “mais difíceis e sujos” em troca de salários escassos, como trabalhadores agrícolas, em armazéns, limpeza de escritórios, lavar pratos ou cuidar de idosos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -

POPULARES